sábado, 24 de abril de 2010

Gengiva doente ocasiona parto prematuro

Pesquisa inédita realizada no Hospital das Clínicas da UFPE prova que grávidas com grau elevado de periodontite têm sete vezes mais chances de entrar em trabalho de parto antes do 9º mês de gestação.
A pesquisa de Dilma Piscoya, orientada pelos professores Sônia Bechara e Ricardo Ximenes - Programas de pós-graduação em saúde da criança e do adolescente e em medicina tropical da UFPE.



Gestante com periodontite, grau elevado de inflamação da gengiva e do tecido de sustentação do dente (ligamento e osso), têm sete vezes mais chances de entrar em trabalho de parto prematuro. O resultado é de uma pesquisa inédita, realizada na Maternidade do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, que examinou mulheres da capital e do interior. “As bactérias presentes na boca migram pela corrente sanguínea até o útero e a placenta, provocando contração da musculatura e expulsão do bebê”, explica a neonatologista Dilma Piscoya, que defendeu no mês passado tese de doutorado sobre o assunto.
Segundo Dilma Piscoya, a periodontite, que se caracteriza por sangramento na gengiva, inchaço e em casos mais graves mobilidade do dente, demonstrou ser mais indutora de parto prematuro que infecção urinária, leucorreia, pré-eclâmpsia, pré-natal insuficiente e até uso de cigarro. Para chegar a essa conclusão, Dilma Piscoya excluiu casos em que havia fortes fatores para o nascimento prematuro dos bebês, como diabete, doença renal, cardiopatia ou hipertensão crônica da mãe, além de gravidez gemelar.
“A literatura internacional já mostrava a forte associação entre periodontite na gravidez e parto prematuro. Nosso estudo serve de alerta, no Brasil, para a importância do acompanhamento odontológico das gestantes. A prevenção e tratamento das doenças periodontais das mulheres deve estar no pré-natal e antes dele”, destaca, defendendo prioridade às grávidas nos consultórios de dentista do SUS e encaminhamento ao serviço pelo obstetra. Todas as mães participantes da pesquisa relataram não receber orientação para ir ao dentista. Há também o pensamento equivocado de que grávida não deve fazer tratamento dentário.
(A reportagem  acima foi publicada no Jornal do Comércio - Recife)
Autoria: Veronica Almeida Acesse na íntegra

Um comentário:

Geraldo Barbosa disse...

Excelente postagem de divulgação científica.Encaminhei para um dos meus filhos que é Periodontista.
Um abraço.
Geraldo Barbosa